Enfermeira homicida do Algarve vai mesmo receber indemnização do hospital
Mariana Fonseca, enfermeira condenada a 23 anos de prisão pelo homicídio de Diogo Gonçalves, um jovem de 21 anos, vai receber uma indemnização de 30 mil euros da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve por ter sido despedida de forma ilícita depois do crime.

Mariana Fonseca, a enfermeira que foi condenada a 23 anos de prisão pelo homicídio de Diogo Gonçalves, vai receber uma indemnização da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve por ter sido despedida ilegalmente depois do crime.
Conta o Jornal de Notícias (JN) que após ser conhecido o envolvimento de Mariana Fonseca no homicídio de Diogo Gonçalves, de 21 anos, a ULS do Algarve, local onde trabalhava, avançou para o despedimento.
A vítima, recorde-se, foi esquartejada e o corpo espalhado por várias zonas do Algarve.
No processo laboral, o Hospital de Lagos alegou que Mariana tinha retirado ampolas de Diazepam para utilizar no crime.
No entanto, refere o mesmo meio que tanto o Juízo do Trabalho de Portimão como, posteriormente, o Tribunal da Relação de Évora não deram como provado que a enfermeira tenha retirado as tais ampolas para as usar no homicídio de Diogo Gonçalves. Desta forma, condenou a ULS do Algarve a pagar uma indemnização de 30 mil euros por despedimento ilícito a Mariana Fonseca.
Durante o processo-crime que jugou o assassinato do jovem algarvio, acabaria por ficar demonstrado que Mariana Fonseca se aproveitou do acesso a medicamentos, tendo-se apropriado de três ampolas de Diazepam.
Assim, para a ULS do Algarve, a decisão confirmava que a conduta da enfermeira justificava o despedimento, permitindo reabrir o processo laboral. A unidade hospitalar apresentou assim um novo recurso ao Tribunal da Relação de Évora, que acabou por ser recusado recentemente.
De acordo com o JN, os juízes desembargadores concluíram que uma condenação criminal posterior ao despedimento, não é, por si só, um fundamento para que seja revista a decisão laboral que foi definitiva.
O JN, que teve acesso ao acórdão, refere que o tribunal superior explicou que a decisão do Juízo do Trabalho de Portimão sobre o despedimento não tem que ver com o facto de que a conduta de Mariana Fonseca era pouco grave, mas sim com o facto de a entidade empregadora ter deixado passar o prazo legal para aplicar a sanção disciplinar.
Recorde-se que Mariana Fonseca foi condenada pela coautoria do homicídio de Diogo Gonçalves, juntamente com a namorada Maria Malveiro, em 2020. A vítima foi esquartejada e o corpo espalhado por várias zonas do Algarve.
Em primeira instância, o Tribunal de Portimão condenou, em 27 de abril de 2021, Maria Malveiro à pena máxima de 25 anos, pelo homicídio e profanação do cadáver de Diogo Gonçalves.
Nesse julgamento, Mariana Fonseca foi absolvida, depois de o Tribunal de Portimão não ter conseguido provar a sua participação no homicídio, e acabou por ser condenada a quatro anos de prisão pelo envolvimento na ocultação do cadáver, ficando em liberdade.
Em julho de 2023, Relação de Évora reverteu a decisão do Tribunal de Portimão, condenando-a à pena máxima. A defesa da enfermeira recorreu da decisão mas o Tribunal Constitucional confirmou a sentença da Relação, reduzindo apenas a pena em dois anos, de 25 para 23 anos de prisão.
A fuga de Portugal
A enfermeira fugiu do país no verão passado, tendo-se encontrado em parte incerta até janeiro deste ano. Cerca de dois meses depois, foi detida na Indonésia e deportada para Portugal.
A Polícia Judiciária (PJ) sabia onde estava Mariana Fonseca desde janeiro. No entanto, foi apenas em março que a Interpol cumpriu, em Jacarta, na Indonésia, o mandado de captura, que havia sido emitido em Portugal em julho do ano passado.
Nesse mês, recorde-se, a enfermeira tinha deixado um vídeo onde anunciava que iria ausentar-se do país, uma vez que dizia estar inocente e não queria cumprir 23 anos de prisão pela morte de Diogo Gonçalves, em 2020, no Algarve.



