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Dor, Morreu o menino que passou 9 anos em estado vegetativo depois de comer queijo contaminado

Tinha 13 anos e tornou-se um dos casos mais mediáticos de contaminação alimentar em Itália. Os responsáveis da empresa foram condenados.

Em junho de 2017, Mattia Maestri, um menino italiano de quatro anos, consumido queijo de leite cru contaminado com a bactéria E. coli. Foi internado e passou os últimos nove anos em estado vegetativo. Este domingo, 2 de agosto, morreu, aos 13 anos.

A notícia foi confirmada pelo pai, Giovanni Battista Maestri, através de uma mensagem divulgada pelo jornal italiano “Il T”. “O nosso Mattia deixou-nos e, em nome dele, agradeço-vos por terem contribuído para tornar menos dolorosa a sua partida”, escreveu.

A história de Mattia tornou-se um dos casos mais mediáticos em Itália relacionados com os riscos associados ao consumo de produtos alimentares não pasteurizados. Em 2017, quando tinha apenas quatro anos, comeu um pedaço de queijo de leite cru produzido por uma queijaria na região de Trentino.

Segundo o jornal italiano “Corriere del Trentino”, a contaminação terá acontecido durante o processo de recolha do leite, depois de um equipamento utilizado na exploração agrícola ter entrado em contacto com estrume antes de ser usado nos depósitos da queijaria.

Pouco depois, Mattia desenvolveu Síndrome Hemolítico-Urémica (SHU), uma doença grave frequentemente associada a determinadas estirpes da bactéria Escherichia coli (E. coli). A síndrome pode provocar insuficiência renal e comprometer a circulação sanguínea para órgãos vitais, incluindo o cérebro.

O estado de saúde agravou-se rapidamente. O menino entrou em coma, passou um mês nos cuidados intensivos do Hospital de Pádua e esteve cerca de um ano internado numa unidade de reabilitação. Acabou por permanecer em estado vegetativo irreversível durante nove anos.

Ao longo desse período, precisava de dezenas de medicamentos por dia, sofria crises epilépticas frequentes e perdeu a visão, segundo relatos do pai à imprensa italiana.

O caso deu origem a uma longa batalha judicial. Os tribunais italianos acabaram por condenar o antigo presidente da queijaria e o mestre queijeiro pelas lesões provocadas à criança. No mesmo processo, uma pediatra foi também acusada de recusa de assistência e de ofensas à integridade física, depois de a família alegar que uma intervenção atempada poderia ter evitado o agravamento do estado clínico.

Nos últimos anos, Giovanni Battista Maestri transformou a tragédia da família numa causa pública. Escreveu o livro “A verdade sobre os perigos dos queijos de leite não pasteurizado” e criou uma associação de consumidores que defende a introdução de avisos de saúde obrigatórios em alimentos considerados de maior risco para crianças, grávidas, idosos e pessoas imunodeprimidas.

“Não consegui salvar o meu filho, mas espero que ele possa salvar outras crianças”, afirmou o pai durante a apresentação do livro no Parlamento italiano, aqui citado pelo “Corriere del Trentino”

O funeral de Mattia realizou-se esta segunda-feira, 3 de agosto, em Coredo, no norte de Itália, onde familiares, amigos e dezenas de habitantes se reuniram para prestar uma última homenagem ao menino.

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